Depois de passar quase dois meses a procura de um emprego, o meu primeiro ''ganha pão'' foi na RGIS, mais conhecida pela maioria dos brasileiros como (Régis). Uma maneira mais fácil de falar o nome da empresa do que soletrando cada letra (maneira como os gringos falavam). A "Régis" é uma empresa que disponibiliza a contagem de todo o estoque fazendo trabalho de inventário para aqueles que contratam o seu serviço.

Com uma máquina na mão de difícil manuseio (principalmente para quem não fala inglês... na época o meu caso), com o infra-vermelho do aparelho você digitalizava todos os códigos de barras que via pela frente. Como a empresa tinha contrato com diversos clientes de toda a Irlanda e inclusive alguns do Reino Unido (Irl Norte) grande parte dos trabalhos que fazia era fora de Dublin, o que me possibilitou conhecer outras cidades (mesmo que de passagem). Eu e minha companheira de ''luta", Carol Ladeia (Brasiliense com sotaque de Mineira "uai"), éramos inseparáveis. Foi através dela que fui contratado conseguindo então o meu primeiro "EURO", comemorado com uma PINT, lógico.
A saga na procura pelo o emprego ideal, que possibilitasse conciliar o "ganha pão" com os estudos era constante e foi assim que fui trabalhar em uma das maiores universidades da Irlanda. Não precisa nem dizer quem conseguiu o emprego (Mrs Ladeia).
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Entreguei meu currículo e fui chamado para a entrevista... Martina era o nome da pessoa responsável pela contratação na UCD. Feliz achando que a entrevista seria em português (o nome latino me fez pensar), mas chegando lá, sentada no escritório havia uma irlandesa que mais parecia um ''cão chupando manga''. A senhora não tinha cara de bons amigos e falava um inglês tão rápido e de difícil compreensão que se eu fosse tentar repetir o que ela falava, certeza minha língua ia dar um nó e iria acabar parando no hospital com convulsão... Deixando essa parte de lado, conseguir ser contratado e fui direcionado para ir para a biblioteca (moleza, pensei)... na mesma hora fui apresentado a cinco privadas (latrinas, cagatórios) e ali estava eu garantindo mais um mês de vida e aprendendo mais uma palavra em inglês Cleaner.

Como o trabalho da UCD não pagava tão bem, procurei outra forma de ganhar uma graninha extra. Na Irlanda é bem comum você ver pessoas lendo jornais e com isso existem alguns exemplares que são oferecidos gratuitamente na cidade, financiados por empresas que fazem publicidades em cada edição. Free... Free.. Free! Como não exigia o inglês, o trampo era fácil e com apenas algumas horinhas você estava livre. O ruim é que tudo isso era ao ar livre, então em dia de chuva e frio (todos os dias) você voltava para casa congelado.
A estação onde trabalhava era Portmarnock e todos os dias meu principal meio de transporte era o trem!
Antes de completar 6 meses de Dublin participei de um processo seletivo para uma das posições que me traria bastante benefício. Fui aprovado e com isso tive que ir trabalhar em Arklow, que fica aproximadamente uns 200km de Dublin. A loja do Abrakebabra é uma franquia Irlandesa que disponibiliza serviços de fast food, concorrendo diretamente com as principais marcas mundias Mc Donald, Burguer King. Ela ficava localizada dentro de um dos maiores Shopping Center que existe na Irlanda, o Bridge Water Center, o point da cidade.


A única desvantagem que tinha era a distância, pois tinha que acordar 5 da manhã para pegar o primeiro ônibus saindo da rodoviária, pois o meu horário era de 8:00 às 17:00 e 18:30 tinha que está de volta para Dublin para poder assistir a aula de inglês. Foi nesse emprego que tudo começou a melhorar... Conseguia guardar grana, aprendi mais o idioma por trabalhar apenas com Polonês, Irlandes, Ingleses, Romenos, Russos dentre outros. Como era o único Brasileiro... Sofri muito. Zuações, bulling, preconceito... Mas aprendi a lição e soube conviver com as diferenças.