sábado, 24 de maio de 2014

Rodoviária "Busaras"


Terminal Rodoviário de Dublin. Usava frequentemente para ir ao trabalho em Arklow. Esse terminal não tem muito o que falar, não existe muita tecnologia e os funcionários que ficam encarregados em avisar o momento certo do seu embarque não são de muita conversa (amigos). 


Existe apenas um painel informativo com os horários de saída e chegada dos ônibus, que nem sempre está atualizado e isso pode fazer você perder o seu bus. Detalhe importante para as meninas... Se estiver com vontade de ir ao banheiro e não tem uma moeda de 0,50 cents no bolso desista que porque na porta tem uma catraca que impede o acesso. Diferente do sanitário masculino. :) sorte!!!!


Time to work

Depois de passar quase dois meses a procura de um emprego, o meu primeiro ''ganha pão'' foi na RGIS, mais conhecida pela maioria dos brasileiros como (Régis). Uma maneira mais fácil de falar o nome da empresa do que soletrando cada letra (maneira como os gringos falavam). A "Régis" é uma empresa que disponibiliza a contagem de todo o estoque fazendo trabalho de inventário para aqueles que contratam o seu serviço.

Com uma máquina na mão de difícil manuseio (principalmente para quem não fala inglês... na época o meu caso), com o infra-vermelho do aparelho você digitalizava todos os códigos de barras que via pela frente. Como a empresa tinha contrato com diversos clientes de toda a Irlanda e inclusive alguns do Reino Unido (Irl Norte) grande parte dos trabalhos que fazia era fora de Dublin, o que me possibilitou conhecer outras cidades (mesmo que de passagem). Eu e minha companheira de ''luta", Carol Ladeia (Brasiliense com sotaque de Mineira "uai"), éramos inseparáveis. Foi através dela que fui contratado conseguindo então o meu primeiro "EURO", comemorado com uma PINT, lógico.

A saga na procura pelo o emprego ideal, que possibilitasse conciliar o "ganha pão" com os estudos era constante e foi assim que fui trabalhar em uma das maiores universidades da Irlanda. Não precisa nem dizer quem conseguiu o emprego (Mrs Ladeia)

Entreguei meu currículo e fui chamado para a entrevista... Martina era o nome da pessoa responsável pela contratação na UCD. Feliz achando que a entrevista seria em português (o nome latino me fez pensar), mas chegando lá, sentada no escritório havia uma irlandesa que mais parecia um ''cão chupando manga''. A senhora não tinha cara de bons amigos e falava um inglês tão  rápido e de difícil compreensão que se eu fosse tentar repetir o que ela falava, certeza minha língua ia dar um nó e iria acabar parando no hospital com convulsão... Deixando essa parte de lado, conseguir ser contratado e fui direcionado para ir para a biblioteca (moleza, pensei)... na mesma hora fui apresentado a cinco privadas (latrinas, cagatórios) e ali estava eu garantindo mais um mês de vida e aprendendo mais uma palavra em inglês Cleaner. 


Como o trabalho da UCD não pagava tão bem, procurei outra forma de ganhar uma graninha extra. Na Irlanda é bem comum você ver pessoas lendo jornais e com isso existem alguns exemplares que são oferecidos gratuitamente na cidade, financiados por empresas que fazem publicidades em cada edição. Free... Free.. Free! Como não exigia o inglês, o trampo era fácil e com apenas algumas horinhas você estava livre. O ruim é que tudo isso era ao ar livre, então em dia de chuva e frio (todos os dias) você voltava para casa congelado.


A estação onde trabalhava era Portmarnock e todos os dias meu principal meio de transporte era o trem!


Antes de completar 6 meses de Dublin participei de um processo seletivo para uma das posições que me traria bastante benefício. Fui aprovado e com isso tive que ir trabalhar em Arklow, que fica aproximadamente uns 200km de Dublin. A loja do Abrakebabra é uma franquia Irlandesa que disponibiliza serviços de fast food, concorrendo diretamente com as principais marcas mundias Mc Donald, Burguer King. Ela ficava localizada dentro de um dos maiores Shopping Center que existe na Irlanda, o Bridge Water Center, o point da cidade.


A única desvantagem que tinha era a distância, pois tinha que acordar 5 da manhã para pegar o primeiro ônibus saindo da rodoviária, pois o meu horário era de 8:00 às 17:00 e 18:30 tinha que está de volta para Dublin para poder assistir a aula de inglês. Foi nesse emprego que tudo começou a melhorar... Conseguia guardar grana, aprendi mais o idioma por trabalhar apenas com Polonês, Irlandes, Ingleses, Romenos, Russos dentre outros. Como era o único Brasileiro... Sofri muito. Zuações, bulling, preconceito... Mas aprendi a lição e soube conviver com as diferenças.



domingo, 6 de abril de 2014

54 Merrion Square Dublin 2

 English Dublin School. Aprendizado para o resto da vida!!! Se estiver pensando em ir um dia para Dublin, estudar, fazer um intercâmbio cultural, aprender um novo idioma... Vale apena fazer parte dessa família!!!
Figura chave da English in Dublin School o querido Diretor - Mr Denis O'Donoghue não era somente um simples diretor. Com toda sua simplicidade ele fazia questão de ser mestre, amigo, companheiro e um pai para muitos que ali estudavam, principalmente os brasileiros. Amante pelo futebol foi no ano de 2006 que o Mr. criou um time com os estudantes da instituição, com o intuito não somente de divulgar e promover a escola mas também, acima de tudo, de realizar o seu próprio sonho. O time se tornou campeão de várias competições em Dublin, formou atletas e o time ficou conhecido por toda a cidade como os "Samba Boys" , fazendo uma analogia na época pelo fato do time ser formado apenas por brasileiros.

sábado, 5 de abril de 2014

83 Saint Mary´s Road East Wall

Ótimas recordações desta residência! Após ter deixado os amigos Mauritanos com em Dublin 7, fui morar com Bruno "Lobão" e Carol (sua esposa) em Dublin 3 local carinhosamente apelidado como o "inferninho de Dublin". Se você estiver indo para a Irlanda e puder escolher, por favor, um conselho que lhe dou é ficar longe de East Wall e consequentemente você estará livre da gangue de "James" o Terror dos estrangeiros. #osnackers.
Garoto magricelo de penteado estranho (o famoso hair style), cuja sua principal peça de roupa é um conjunto de moletom com o tênis Nike ou Adidas (branco) e com a meia por cima da calça (uma mistura de super herói com trombadinha). Se você ver um desses andando pela rua ou parado na esquina... É melhor mudar de caminho, porque o sobrenome deles é PROBLEMA.  Meu sonho era poder deixar um desses garotos pelados no quintal, em pleno inverno da Irlanda (-10) e socar sorvete na guela (para não dizer no c...) até ter uma crise de tosse e espirrar pelo "toba", enquanto dava estilingadas com pedras de gelo mirando na cabeça. Tirando James e sua trupe... foi em East Wall que comecei a valorizar cada segundo da vida que estava vivendo e foi a partir de lá que minha vida começou a mudar. 

Primeira residência

8 Nelson Street-Dublin 7. Este era o endereço da minha primeira residência fixa, onde dividia com mais 4 pessoas. W.S BR, Issa, Dominique e Dipa (esses das Ilhas Mauritanas). 3 meses nessa residência foi o suficiente para aprender que muitas coisas não são exatamente do jeito que queríamos que fosse e a mudança sempre traz crescimento. Grandes saudade dos amigos da Mauritana, que me forçaram a aprender o básico do inglês e uma frase do criolo que nunca irei me esquecer: "Falu mama... Pilon" (Creolo)

Doação dos Anjos

Atrás da Church Street existe um lugar chamado "Capuchin Day Centre" localizado exatamente na Bow Street atrás da igreja. É um centro de auxílio às pessoas necessitadas, muitas até mesmo Homelees (moradores de rua) são frequentadores deste lugar.
Passei a frequentar este local diariamente no horário do almoço (exceto aos finais de semanas). Às quartas-feiras no horário de 9:00 hrs, na casa ao lado do centro de janelas da cor verde, os voluntários entregavam cestas básica para complementar o auxílio. Eu, Brunão e Carol (sua esposa), amizade feita na porta da English in Dublin, eramos frequentadores assíduos deste local, pois a vida sem emprego não era nada fácil e qualquer ajuda sempre era bem vinda. Em um belo dia almoçando neste lugar ao lado de alguns Homeless conheci Sérgio (brasileiro), que entre uma história e outra bastante mirabolantes e loucas me ofereceu o primeiro emprego: "A pesca do caranguejo gigante". Eu precisava saber direito do que se tratava... E foi assistindo um vídeo na televisão, que desistir e recusei a oferta. #coisademaluco (http://discoverybrasil.uol.com.br/video/shows/pesca-mortal/)


A luz da Spire

Durante o tempo que passei no hostel, fiquei alojado no último andar do prédio e ao lado da cama uma janela que me trazia lembranças de uma terra distante. As dificuldades eram muitas, naquele primeiro instante, o idioma por exemplo, a saudade da família, da namorada, dos amigos que haviam ficado para trás após a decisão que fiz em busca de realizar um sonho.
Todas as vezes antes de ir dormir, mesmo com as lágrimas escorrendo pelo rosto sem parar mas com os olhos fixos na luz que refletia na ponta daquele monumento, pedia a Deus "em pensamentos" que cuidasse daquelas pessoas que tanto amava e as livrassem de todo mal.